Descendo à essência das coisas, descobrimos que o Farol Culminante se refere pura e inteiramente ao Verbo - o Verbo como som; como Música das Esferas; como invocação, decreto e grau dinâmico.
O Verbo como a natureza íntima da Física, como as correntes de luz que se opõem à escuridão desconforme pela supremacia no coração do átomo e no coração do homem; como a palavra escrita da sabedoria em todos os seus aspectos; - e como o Verbo encarnado na relação Guru-chela (Mestre-discípulo).
Há mais de um século, o Adepto conhecido por muitos no mundo como El Morya ajudou a fundar a Sociedade Teosófica através de sua chela, H. P. Blavatsky, que, dessa maneira, passou a ser a porta-voz viva do seu Verbo. Ela se tornou o que se conhece como a mensageira da Grande Fraternidade Branca - capaz de representar plenamente e emitir o Verbo e os ensinamentos do grande corpo de Adeptos do Leste e do Oeste.
De modo algo semelhante, mas como parte da missão crescente da Fraternidade, El Morya escolheu por mensageiros em nossa época Mark e Elizabeth Prophet, cada um dos quais possui grande soma de serviços prestados à Fraternidade no passado.
O próprio El Morya escreveu, em 1975, sobre mensageiros: O Verbo é todos e tudo. O Verbo é o Logos eterno.
É a voz de Deus trovejando os Dez Mandamentos das alturas do Horeb, gravando com a chama viva os sinais da lei em tábuas de pedra.
O Verbo é a vontade do AUM e o raio da sua divindade. O Verbo é vida e amor e verdade. O Verbo é lei e princípio. O Verbo é individualmente total.
Expedimos mensageiros do Verbo cujas almas, ungidas pelo próprio Deus, se ajoelharam diante do altar do Tribunal do Fogo Sagrado e receberam as instruções dos Vinte e Quatro Anciãos. E a autoridade deles é a dos mensageiros do Grande Sol Central.
Ser mensageiro da hierarquia é um alto e sagrado mister - um mister que não se confere levianamente e não deve ser recebido com leviandade.
Em 1876, Helena Petrovna Blavatsky recebeu ordens do Mestre Kuthumi e minhas, então conhecidos como Mestres K. H. e M., para escrever Ísis sem véu. Mais tarde, foi-lhe conferida a responsabilidade de transmitir A doutrina secreta ao mundo.
Instruída por Jesus, o Cristo, o Ascendido Mestre Hilarião, e Mãe Maria, Mary Baker Eddy recebeu revelações que deu a conhecer em Science and Health with Key to the Scriptures (Ciência e saúde com chave das escrituras).
Conquanto assediadas, às vezes, por seus próprios preconceitos e pelo fardo da consciência de massa, essas testemunhas codificaram a verdade e a lei do Leste e do Oeste como a culminação de milhares de anos de destilações do Espírito em suas almas.
Tais mensageiros não são instruídas num dia, nem num ano, nem numa existência. Encarnação após encarnação, eles se assentam aos pés dos Mestres e recebem as emanações do seu manto pelo poder da sua palavra e do seu exemplo.
Outros, escolhidos para executar um serviço semelhante para a hierarquia, falharam em suas iniciações pelo orgulho do intelecto e pela relutância em submeter a identidade totalmente à chama. Tornaram-se, por essa maneira, inteiramente auto-iludidos e continuam a arrastar almas inocentes para o caos da sua ilusão.
Na década de 1930, chegaram as chamas gêmeas de Guy W. Ballard e Edna Ballard, transmitindo o sagrado mistério da lei do I AM, um novo conhecimento da hierarquia, a invocação do fogo sagrado e o caminho da ascensão. Representantes experimentados e verdadeiros de Saint-German, receberam o encargo de ser os únicos mensageiros da hierarquia da Era de Aquário até que a humanidade remisse certa porção do seu carma.
Quando o ciclo se completou, Saint-German, juntamente com o Conselho de Darjeeling, apoiou Mark e Elizabeth Prophet para que levassem avante o trabalho não só dos Ballards e do movimento do I AM, mas também de Nicholas e Helena Roerich.
Os Roerichs deram a conhecer a palavra de Morya destinada a alcançar, a um tempo, o povo russo e o povo americano, com a energia e a iluminação que deveriam deter o dragão vermelho do Mundo Comunista.
E assim a chama Mãe da Rússia e a chama Mãe América convergem em espirais de liberdade e vitória para os filhos e filhas de Deus em ambas as nações e em todas as nações sobre a Terra (Direitos editoriais, 1983, da Church Universal and Triumphant, Inc., Box A, Malibu, Califórnia, 90265. Todos os Direitos Reservados.
Reproduzido com autorização. De The Chela and the Path (O chela e o caminho) de El Morya, págs. 115, 121-2; edição de 1976.
Nessa missão de mensageiros, Mark e Elizabeth Prophet têm transmitido em conferências e livros, através do Farol Culminante, grande riqueza de ensinamentos acerca de uma variedade de assuntos da Nova Era. E no meio desse sistema de pensamento e sua aplicação prática encontramos muita coisa importante para o nosso estudo sobre o poder do som.
Na sua The Science of Rythm for the Mastery of the Sacred Energies of Life (A ciência do ritmo para o domínio das sagradas energias da vida), conferência dada a público em letra de forma, Elizabeth Clare Prophet mostra quais dos sete raios e dos sete chakras se associam a determinada classe de instrumento musical e a determinado estilo de música.
A conferência, que constitui o pronunciamento fundamental do Farol Culminante sobre música, encerra grande quantidade de novas informações; mas um pouco dela, pelo menos, podemos sintetizar em forma de tabela.
Entre os inúmeros outros aspectos da ciência do Verbo que o Farol Culminante publicou, destaca-se um de interesse muito especial para nós neste livro.
Trata-se da prática de usar a ciência do próprio Verbo falado - que tão intimamente se assemelha ao emprego cuidadoso e consciente do Verbo falado pelos antigos
Rememoramos, em capítulos anteriores, o modo com que os chineses utilizavam gigantescos conjuntos musicais na crença de que estes irradiavam uma energia espiritual edificativa por todo planeta; o modo com que os hindus forneceram, por milênios, mantras e bhajans para a manutenção da civilização e do equilíbrio físico do planeta; quão altamente desenvolvido era o sofisticado sistema de invocação do sacerdócio egípcio (assim como o seu adestramento no modo com que o indivíduo espiritualmente avançado deve usar a fala na vida cotidiana).
Pesquisando, para escrever este livro, quanto se referia ao poder do som e os usos modernos da palavra falada, impressionou-me a ausência peculiar dessas práticas nos dias de hoje.
Acreditavam os antigos que o uso do som era a mais poderosa de todas as chaves para abrir a porta dos estados mais elevados de consciência, bem como para efetuar mudanças práticas no mundo em geral.
Em contraste com isso, no entanto, aspirantes espirituais modernos e servidores do mundo concentram-se quase que exclusivamente em técnicas silenciosas de meditação. Quando muito, o partidário moderno sabe apenas orar, ou cantar um hino, ou pronunciar umas poucas linhas impressas num livro. O entoar de cânticos orientais tampouco é prática de todo esquecida.
Todavia, nada disso tem alguma semelhança, digamos, com o uso extremamente científico de consoantes e vogais que se praticava no antigo Egito com a finalidade de realizar atos desinteressados, motivados pelo direito e altamente específicos, de magia branca.
A dirigente do Farol Culminante, Elizabeth Clare Prophet, acredita que a ciência do Verbo falado é o elo que falta nas aspirações do homem moderno à auto-evolução.
Dar-se-ia que o caminho exclusivamente silencioso é, em certos sentidos, desproporcionado, dadas as tremendas necessidades atuais de uma rápida ocorrência de mudanças efetivas no palco do mundo?
Acreditava-se, sem dúvida, desde a mais remota antigüidade que, embora a meditação e a oração elevem a consciência do gênero humano para Deus, só o uso científico do chakra da garganta, aplicado com concentração e determinação, pode invocar plenamente as energias de Deus para o mundo da forma em que vivemos.
E num sentido notavelmente semelhante ao desse conceito da antigüidade, milhares de pessoas acreditam hoje também que o Verbo falado é capaz de criar e sustentar potentíssima revolução em todo o planeta para lograr uma consciência mais elevada.
O Farol Culminante costuma utilizar o poder do som promulgando os chamados decretos dinâmicos, fórmulas específics, expressas em palavras, que visam à sublimação e ao aprimoramento das condições pessoais e planetárias.
Na exposição clássica do assunto, The Science of the Spoken Word (A ciência do verbo falado), redigida por Mark L. e Elizabeth Clare Prophet, lemos: Vários sistemas iogues de meditação oferecem métodos por cujo intermédio se pode silenciar o espírito do homem, obtendo-se, por esse modo, uma afinação maior com o Divino.
Alguns desses métodos se tornam aleatórios quando aplicados pelo homem ocidental, pois requerem avançada disciplina mental e espiritual da parte de quem os emprega.
Os decretos, por outro lado, são relativamente simples de dominar, uma vez que se lhes compreendem os princípios básicos; e muito mais eficazes. Importa compreender que decretos enunciados sem sentimento e sem reflexão não produzirão a total perfeição que se destinam a produzir; pois o homem deve ter na consciênia os padrões corretos de pensamento e sentimento que atuam como receptáculos para as energias que pede à Divindade.
Os decretos promulgados de acordo com a ciência do Verbo falado começam com um preâmbulo.
Esses preâmbulos dirigem a atenção e as energias de quem decreta para a própria presença I AM (o Ego divino interior) e para o seu Ego do Santo Cristo (a identidade de Cristo), assim como para os seres cósmicos que fizeram imensos progressos no reino de Deus.
Tais preâmbulos são invocativos do mais alto Bem - o que quer dizer que invocam a bondade de Deus por um apelo, feito em nome de Deus e do seu Cristo, às hierarquias do céu para que lancem a âncora de suas energias e do seu amor a fim de levar, ampliada, a níveis de compreensão quase ilimitada, a ação do decreto quando este se cumprir no mundo do tempo e do espaço.
O enunciado de cada apelo com fervor e amor invoca automaticamente as energias dos habitantes celestiais em prol daquele que decreta e de todo o gênero humano. Além disso, os decretos são um enunciado definido de verdade que a mente do indivíduo pode seguir até chegar a uma conclusão lógica.
E, nesse caso, é a conclusão do Logos, do Verbo feito carne pelo poder do Verbo falado, isto é, pelo poder de decretos.
Consoante a lei cósmica, as idéias expressas em palavras precisam resultar na realidade quando são liberadas em nome de Deus e pela autoridade da chama de Cristo.
Os que conhecem o poder do quadrado em matemática compreenderão que quando grupos de indivíduos se empenham em invocar as energias de Deus, não estão simplesmente acrescentando o poder pelo número de pessoas no grupo numa base de um-mais-um, mas estão entrando numa velhíssima aliança do quadrado que acerta a liberação do poder para levar a efeito o Verbo falado pelo número de indivíduos que estão emitindo decretos e pelo número de vezes em que cada decreto é expedido.
Recomendamos sinceramente a emissão de decretos individuais para a consecução de bênçãos incalculáveis na vida dos que se disciplinarem no ritual da invocação da luz para um mundo escurecido.
Mas a decretação em grupo, quando acompanhada de intensa visualização do bem desejado, é mais eficaz em escala mundial do que na decretação individual e redundará em rápida resposta aos que nela estão empenhados, não somente para eles mesmos, mas também em benefício de todo o gênero humano.
O ritmo também é importante em decretos. O ritmo próprio cria uma projeção muito penetrante das vibrações espirituais que magnetizarão por todo o planeta as qualidades de Deus invocadas através de decretos.
O momento dessas ondas, que formam círculos ondulantes sobre o corpo planetário, cria uma intensificação de luz toda vez que os adeptos se reúnem a fim de participar de um esforço semelhante*.
*Direitos editoriais, 1983, da Church Universal And Triumphant, Inc., Box A, Malibu, Califórnia 90265. Todos os Direitos Reservados. Reproduzido com autorização. De The Science of the Spoken Word (A ciência do verbo falado) de Mark L. e Elizabeth Clare Prophet, págs. 25-6, 40-2; edição de 1983.
Pode dizer-se que essas sessões dinânicas de decreto em grupo do Farol Culminante representam, portanto, a primeiríssima reemergência genuína da ciência e da prática espirituais, que foram outrora básicas entre os cleros antigos.
Somente recuando muito no tempo encontramos registros de algo semelhante. Uma prática dessa natureza teria ocorrido no pavilhão real de Ur, a cidade de Abraão, com o propósito de afastar dele uma onda de desalento e pestilência.
O Rei-sacerdote Gudea e seus músicos realizam-na pelo poder da música e das vocalizações simultâneas.
Corine Heline comentou a descrição: Os esotéricos compreenderam que era pela magia da música que uma nuvem de mal e de erro, que envolvia a cidade, estava sendo transmudada, e que os ritmos vibratórios da cidade se estavam elevando correspondentemente.
Essa importante função da música será, algum dia, redescoberta e utilizada. Claro está que indivíduos diferentes reagem de duas maneiras muito diferentes à idéia de que homens e mulheres atuam como transformadores tonais para que entre na Terra a energia sagrad vinda de dimensões mais altas do ser.
O ponto de vista materialista contemporâneo vê o universo em função da matéria - como átomos, planetas e estrelas formados por coincidência - e em que o fenômeno da vida, mero acidente da natureza, é quase irrelevante no esquema total das coisas.
Para o idealista espiritual, porém, a vida e a consciência total, acima de tudo, são o que há de mais importante no universo: o verdadeiro propósito da Criação material de átomos e mundos era proporcionar uma plataforma sobre a qual a vida pudesse existir e evoluir.
Esses dois pontos de vista diversos nunca são mais divergentes do que em suas reações à idéia dos cantos místicos com os quais os antigos acreditavam poder afastar os males do mundo.
Para o materialista, a idéia é irracional. Para a concepção mística, todavia, nada seria mais sensível do que o fenômeno mais altamente desenvolvido do universo físico - o homem - ser capaz de atuar como invocador e transmissor da mais alta de todas as formas de força.
Pois os místicos acreditam que essa força ou energia espiritual, se bem que ainda desconhecida da ciência, é a força controladora e orientadora de todas as forças físicas conhecidas.
Do ponto de vista místico, o Rei-sacerdote Gudea e os músicos da sua cidade estavam simplesmente utilizando um conhecido e experimentado meio de afastar a peste e outros males.
Eles só poderiam ser tachados de irracionais e néscios se tivessem deixando de fazê-lo.