Ou, a propósito, teriam eles, algum dia, esquecido dela?
Vimos que existe entre o esoterismo e a música uma relação semelhante à que existe entre o cavalo e o carro. E isso explica por que as décadas mais recentes assitiram à gradativa sudita à tona de uma forma esotérica nova, própria do século XX, de estudar as artes tonais.
Com a reemergência do esoterismo em geral, seguiu-se-lhe, naturalmente, uma nova e mais ampla compreensão dos segredos íntimos do som e da música.
De fato, o primeiro estudo esotérico das propriedades do som levado a cabo em tempos relativamente recentes foi o do Barão Von Reichenbach (1788-1869), no transcorrer do último século.
O estudo de Reichenbach fazia parte de um estudo mais extenso sobre uma força ou energia misteriosa que ele denominou Força Ótica. Diferente do magnetismo ou da eletricidade mas, de certo modo, relacionada com ambos, a Força Ótica parece ter sido a mesma força "extra" e oculta, ainda desconhecida da ciência, com a qual se depararam numerosos investigadores modernos, davam-lhe qualquer nome, desde força vital ou energia etérica até bioplasma e energia orgânica.
Muitas experiências pormenorizadas de Reichenbach com essa força, que podia ser vista e descrita por pessoas clarividentes, foram publicadas em série em 1844, e estão impressas hoje no livro intitulado The Mysterious Odic Force (Os mistérios da força ódica).
O que distingue Reichenbach da maioria dos últimos pesquisadores é a maneira particularmente científica com que ele realizou o seu trabalho.
Numa sala completamente escura, as pessoas sensíveis são capazes de ver a Força Ótica como "luz".
Descobrindo-o, Reichenbach inventou uma série de experiências para ver o modo com que várias coisas afetavam essa misteriosa força - "luz".
Tendo feito experiências ódicas com a eletricidade, o magnetismo, a psicologia, as cores, as reações químicas e os cristais, ele teve, depois, a brilhante idéia de experimentar o efeito do som.
Estando numa sala escura com um sensitivo vienense, Reichenbach tocou um sino. Imediatamente o sensitivo contou que o sino lhe tornara visível e luminoso. Aparentemente, o próprio som emitia uma radiação de Força Ótica. Se bem que essa força fosse invisível e inaudível para a pessoa comum, a maioria dos clarividentes podia vê-la.
Reichenbach tentou bater em outros objetos - uma vara de metal, um ímã em forma de ferradura, um sino diferente, copos de vidro - e uma série de sensitivos declarou que todos os objetos se haviam tornado luminosos.
O grau de luminosidade dependia da força do golpe desferido, o que quer dizer, do volume do som. Quanto maior fosse a altura de som, tanto mais brilhante seria a luz.
Observou-se ainda que, à medida que os tons vibravam ou oscilavam audivelmente, assim também se via a luz ficar mais brilhante ou mais indistinta.
Ao ser tocado um violino, não só as cordas mas também toda a caixa de ressonância se tornaram luminosas para muitos observadores. Um sino, continuamente ferido por um bom pedaço de tempo, produziu o efeito (para os sensitivos) de iluminar toda a sala.
A inferência óbvia de tudo isso que é, seja ela o que for, essa energia desconhecida se irradia de todos os instrumentos musicais e de todos os emissores de sons.
O nosso próprio século assistiu ao aparecimento de muitos grupos de ocultistas e sistemas de pensamento esotérico. Embora muitos contenham elementos semelhantes uns aos outros, cada qual possui também seus próprios traços distintivos.
Mas um bom número desses grupos, movimentos e escritores da Nova Era, tem tido coisas para dizer acerca do lado esotérico da música. Todos concordam, universalmente, com as crenças dos antigos.
Uma escritora da Nova Era, Corinne Heline, da importante e tradicional família Duke, do sul dos Estados Unidos, escreveu muito sobre o assunto.
No seu entender, havia duas correntes distintas na música do mundo, cada uma das quais libera uma força tonal diferente no planeta. As consonâncias produzem a força construtiva e fortalecem a natureza mais elevada do homem; as dissonâncias produzem a força destrutiva e robustecem a natureza do desejo do homem.
Ela acreditava que o jazz e a música popular moderna são responsáveis por muitos males atuais da sociedade: "O jazz e a delinqüência juvenil são gêmeos.
Quando floresce um, a outra aparece. Do lado otimista, além de exaltar os méritos artísticos da música clássica ocidental e oriental, e escrever muito sobre os seus benéficos efeitos, Corinne Heline se mostrava também supremamente confiante em que, num futuro próximo, presenciaremos o nascimento de uma forma mais adiantada e até mais sublime de arte tonal - uma música da Nova Era, cujos efeitos transformarão radicalmente toda a civilização.
Segundo a tradição de Platão e Aristóteles, Corinne Heline cria que a música e o grau de espiritualidade e outros traços do caráter do homem estão indissoluvelmente interligados; que, na realidade, os estilos de música e o grau de espiritualidade do homem: só parecem separados à nossa limitada percepção.
Em sua essência, estão unidos inseparavelmente, e nos reinos mais elevados do ser se reconhece que a compreensão musical e o entendimento espiritual são identicos.
Escritos como esses parecem prenunciar uma iminente ressurgência maior do estilo pitagórico e outros estilos antigos de pensamento sobre o som e a arte tonal.
Todavia, para que esse retorno aos princípios antigos seja realmente poderoso e eficaz em sua ação, é provável que venha a precisar não só de uma ressurgência da sabedoria antiga, mas também de algo inteiramente novo e revolucionário.
Muitos esotéricos acreditam que essa revolução no enfoque da ciência do som por parte do homem é hoje propiciada pela Grande Fraternidade Branca através da sua organização exterior, o Farol Culminante.
Enquanto fazia pesquisas para escrever este livro, não pude esquivar-me à dupla conclusão de que não só essa organização é uma força primordial em movimento, através da qual a teoria e a prática do uso dos poderes internos do som estão reaparecendo neste século, mas também que nada parecido surgiu em qualquer outra parte.
Será mister, portanto, examinamos mais detalhadamente o Farol Culminante.