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MALAQUIAS

Toda vez que ocorre uma sucessão papal, começa a se falar das profecias de Malaquias. Mas quem foi realmente esse vidente? Seus biógrafos têm sido bastante pobres em informações sobre diversas passagens de sua vida e, quando fornecem dados, estes nem sempre concordam entre si. Sabe-se que esse santo irlandês nasceu na cidade de Armagh, na Irlanda do Norte mas a data precisa do seu nascimento é incerta.

 São Malaquias Para alguns biógrafos teria sido no ano de 1094, para outros 1078. Entretanto, reconstituições recentes de sua vida preferem localizar o nascimento em 1110. Para sua morte as datas citadas são 1148, 1151 e 1154.

Malaquias foi vigário da diocese de Celsus (ou Cellach), na Irlanda, vindo mais tarde bispo de Connor.

Na opinião de alguns historiadores, ele teve uma participação muito importante na construção do monastério de Ibrach, no Condado de Kerry. Foi nessa época que as pessoas começaram a falar de Malaquias, chamado de "monge santo" ou de "anjo vestido de bispo". Traços de sua atividade pastoral foram encontrados também em Down.

Alguns biógrafos relatam que Malaquias teria ido para Roma com o objetivo de visitar o Papa Inocêncio II (Gregorio Papareschi), quando este estava regressando da França (ou seja, em 1139). E parece ter sido durante essa viagem, da Irlanda para a Itália, que Malaquias teve "a inspiração de traçar uma espécie de cronologia papal".

Ao chegar de volta à Irlanda, o vidente renunciou às funções de bispo e a todas as honrarias para viver de oração e caridade. Retirou­se então para um convento, onde ficou até a sua morte.

Nos primeiros relatos sobre a vida de Malaquias, editados por volta de 1300, o vidente é chamado de Mael Maedoc ou Maoldhog.

Há também um documento pontifício que cita um bispo irlandês chamado Ua Morgair ­ que, entretanto, poderia tratar­se de outra pessoa. É certo, porém, que o vidente manteve relações de amizade com São Bernardo e que o Papa Clemente III (Paolo Scolari) o canonizou em 1190.

E é sabido com certeza que as Prophetiae de Summis Pontificibus começaram a circular em Roma durante a primeira metade do ano de 1500. O beneditino Arnold Wion reuniu pela primeira vez esse material profético na sua obra Lignum Vitae, impressa na cidade de Veneza em 1505.

De acordo com as mensagens proféticas de Malaquias, a sucessão papal deveria encerrar­se em 2013, com o Papa Pedro II. A ausência de papas, porém, não deverá significar o fim da história da Igreja de Roma, que poderá continuar a existir, mas em bases completamente diferentes.

Alguns estudiosos da obra de Malaquias e de outros videntes falam de uma "Igreja Universal", na qual todas as religiões adorarão um mesmo e único Deus e todos os profetas serão respeitados.

As profecias de Malaquias são reproduzidas a seguir na sua forma integral, organizadas segundo a ordem estabelecida pelo estudioso A. Tyler.

Estão incluídos também alguns antipapas historicamente duvidosos, uma vez que sua exclusão alteraria a sucessão prevista por Malaquias. De qualquer modo, segundo a maioria dos estudiosos, o deslocamento no tempo seria mínimo.


O tempo de Malaquias

Malaquias tinha 1 ano de idade (se for aceito 1094 como o ano de seu nascimento) quando o Papa Urbano II organizou sua cruzada contra os turcos. Três anos depois é fundada a Ordem dos Cistercienses ­ que teve um papel muito importante na expansão da arte gótica na Europa ­ e, em 1099, os cruzados conquistavam Jerusalém. É também uma época em que, na Europa, as culturas agrícolas mostram uma expansão sem precedentes tanto pela recuperação de terras pantanosas, como pelo uso de novas técnicas de cultivo. Em muitos países o cavalo começa a substituir o boi no arado, enquanto por todos os lados surgem os moinhos de água.

Em 1118 é fundada a Ordem dos Templários e quatro anos depois o Papa Calisto II assina com Henrique V, monarca do Império Romano­Germânico, a Concordata de Worms, que pôs fim à disputa sobre a investidura dos bispos no Império.

Outro momento histórico importante ocorre em 1130, quando são eleitos dois papas para suceder a Honório II: Inocêncio II (apoiado pelo imperador) e Anacleto I (pelos duques adversários do Império).

É o cisma de Anacleto. Na disputa entre os dois, o duque normando Rogério II obtém do antipapa Anacleto a coroa da Sicília e, em troca, combate Inocêncio II, que derrota, aprisiona e obriga a também reconhecê­lo como rei.

Com a morte de Anacleto, Inocêncio II deixa a França onde se havia refugiado e retorna a Roma, onde convoca o Concílio Ecumêncio II de Latrão.

É 1139. Dois anos antes, os príncipes e prelados alemães haviam elogiado Conrado de Hohenstaufen, Duque da Suábia, para assumir o trono do Império Romano­Germânico, dando início à dinastia dos Hohenstaufen, que governaria por mais de um século.

E, no final de sua vida, Malaquias assiste à ascensão ao trono de uma das figuras mais brilhantes da Idade Média alemã: o Imperador Frederico I, apelidado de Barba­Roxa, que travou uma guerra de mais de vinte anos para tentar submeter as cidades­ repúblicas do norte da Itália à sua autoridade.

Serão pelidado de Barba­Roxa, que travou uma guerra de mais de vinte anos para tentar submeter as cidades­repúblicas do norte da Itália à sua autoridade. Serão "páginas de história escritas com sangue", como havia previsto outro vidente, Norberto de Bolonha.



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