MAGO MERLIN
Um profundo mistério envolve tanto as origens como a própria vida desse personagem lendário Myrddhinn, Myrddin
ou Merzin para alguns e Merlim para a maioria de seus estudiosos.
A versão mais comum o faz um bardo galês, embora em algumas referências seja citado como bretão. Faltam dados
precisos até para localizar a época em que ele viveu; para alguns, isso ocorreu na primeira metade do século V, outros
defendem a tese de que foi no final desse século ou no começo do seguinte.
A lenda diz que sua mãe era uma princesa enterrada em um convento e que o teria gerado virgem, sendo seu pai um
desconhecido. Outras versões o fazem filho do demônio com uma inocente menina.
Na realidade, sua figura deve ser o resultado da fusão de mais de uma tradição, já que a primeira referência escrita
data apenas do século XIII quando o poeta Robert de Borron o coloca no centro de sua Trilogia sobre o Graal, embora
o poema "Merlim" não tenha chegado inteiro até os dias de hoje.
Em sua infância, Merlim teria sido educado na corte do Rei Vortigern, ao qual, em retribuição, revelou o segredo das
fundações inseguras da torre de seu castelo. Adulto, o dom da previsão tornouo amigo, mestre e protetor do lendário
Rei Artur.
Apaixonado por Viviana, a Mulher do Lago, preparou um sepulcro inviolável e encantado para quando morressem. A
mulher, entretanto, enganou o amante, deixandoo enclausurado vivo no mausoléu, do qual, segundo a lenda, só
poderá sair no dia do Juízo Universal.
As profecias de Merlim, ao que parece, foram editadas em Veneza por volta de 1279, mas não conseguiram grande
repercussão por serem muito herméticas, estranhas e até satíricas.
A maior parte dessas mensagens já se teria concretizado, como a invasão saxônica da Britânia, as guerras civis
britânicas, a invasão dinamarquesa e a conquista normanda. Outras mensagens (que no passado foram deixadas
de lado) referemse, ao contrário, a fatos do futuro e dos dias atuais.
A época de Merlim
É um período que pode ser definido como "a época das grandes invasões". A ilha britânica, por exemplo, depois de ter
sido abandonada pelos Anglos e depois pelos Saxões, que empurram os Celtas para o norte.
O Império Romano do Ocidente é tomado de assalto pelos bárbaros. Os visigodos, liderados por Alarico, pilham a Grécia,
a Ilíria, entram na Itália e chegam até Roma que conquistam e saqueiam por três dias. É 410 d.C.
Quando essa notícia chega a São Jerônimo, o estudioso registra uma observação que ficou na história: "A cidade que
conquistara o mundo havia sido por sua vez conquistada. Esse era o seu destino".
Depois é a vez de um povo particularmente selvagem a continuar a obra de devastação do Império Romano do
Ocidente. São os Hunos (1) sob a liderança do Rei Átila, que acabam sendo derrotados por uma aliança das tropas
romanas e de todos os bárbaros que já estavam na Europa.
O desaparecimento de Átila proporciona a tranqüilidade necessária para que, no território do império, surjam os
primeiros reinos romanobárbaros: os Vândalos instalamse na África, os Visigodos e os Suevos na Espanha, os
Francos e os Burgúndios na Gália.
Em 476 d.C., Odoacro, chefe dos mercenários bárbaros a serviço de Rômulo Augústulo, imperador de Roma, o depõe,
mas não consegue o domínio da Itália.
A façanha cabe a Teodorico, líder dos Ostrogodos, que toma o país e lá se instala, fundado um novo reino. É 493 d.C.,
data que assinala o fim do Império Romano do Ocidente.
(1) O historiador Ammino Marcellino diz que: "(É) esse povo de raça mongol alimentavase de raízes e todo o tipo de
carne, que era comida crua. Não tinham casas, viviam no meio das florestas e eram particularmente resistentes à fome,
à sede e ao frio".